O que é que nós realmente queremos?

O que é que nós realmente queremos? O que andamos nós à procura no que toca ao amor, às relações sérias ou não tão sérias assim? Será que toda a gente procura realmente o amor? Ou será possível chegar a um ponto em que já não andamos à procura de nada e sim apenas à procura de nos divertirmos ou de algo para sobrevivermos? E se sim, isso quer dizer que já encontrámos o que queríamos, que desistimos ou que apenas não queremos saber?

O que é que nós realmente queremos? O que é que procuramos? Amor? Alguém com quem realizar todos os nossos sonhos e desejos futuros? Alguém que realmente goste de nós? Butterflies? E o que será realmente possível encontrar? E se é um amor com uma paixão de nos fazer sentir borboletas no estômago de cada vez que pensamos nele que procuramos, será possível realmente encontrá-lo? Sim, borboletas é muito fácil encontrar, mas junto com amor de ambas as partes? E que dure e resulte realmente bem? E que queiram ambos o mesmo? Será possível encontrar tudo isto junto?

E se já tivermos encontrado e as coisas não tiverem resultado de todo? E se sentirmos que já o tivemos uma segunda vez e não conseguimos que esse efeito durasse como a primeira? O que quer isso dizer?

Eu pensei durante muito tempo que isso queria dizer que já tinha encontrado o amor da minha vida, a pessoa certa, mas estava errada.

Talvez não haja pessoa certa. Pelo menos não como eu pensava que existia. Talvez a pessoa certa não tenha que ser a pessoa por quem mais sentes borboletas no estômago ou aquela que não consegues tirar da cabeça há anos e com quem imaginaste o resto da tua vida porque a amavas como a mais ninguém. Talvez a pessoa certa seja bem diferente disso. Talvez a pessoa certa seja alguém que te surpreenda ainda mais do que isso, que te acorde para mais do que isso.

Talvez não tenha a ver com borboletas. Talvez não tenha a ver com atracção física, excelente sexo ou desejo. Talvez tenha a ver com percebermos o que merecemos e o que realmente queremos.

A verdade é que isto são apenas muitos “talvez” juntos. E eu não faço a mais pequena ideia do que aqui é verdade ou não. E do que estou realmente à procura.

Eu já nem sequer penso no casamento na praia ou nos filhos. Já nem sequer sei se estou à procura de algo ou não. Talvez não esteja. Talvez já tenha encontrado tudo o que queria encontrar e o resto fica como história apenas. E se tudo o que quiser agora é estar bem comigo própria? E se já estiver a conseguir ser a pessoa que quero ser? E se já não sentir falta de mais nada? Quer dizer que desisti? Ou quererá dizer que já não o quero porque era parte de outra realidade? E se tiver encontrado a possibilidade de ter tudo o que sempre sonhei noutra realidade?

E se eu sentir que a rapariga que queria o casamento na praia, os filhos, a casa com a pessoa que ama, desapareceu há um mês atrás? E se eu já não me sentir essa rapariga em parte nenhum do meu corpo? E se tudo o que consigo pensar agora é em mim? E se tudo o que consigo pensar agora é em afastar pesadelos da minha vida antiga e viver um dia de cada vez? E se já não conseguir ver a minha vida além do próximo ano? É bom? É mau?

O que é que nós afinal queremos?

Porque há um mês atrás e durante demasiado tempo eu soube bem o que queria. Hoje eu só sinto que me quero a mim própria e à minha escrita, a minha família e os meus amigos. O resto? Já não existe mais resto. É só isto que quero.

By Tânia Sequinho

Tânia Sequinho é a autora por detrás do yoursecretgirl.com, o blog que criou para inspirar jovens mulheres a conseguirem a vida feliz, organizada e realizada com que sempre sonharam. Actualmente a Tânia vive com o namorado André e a sua gata Luna perto de Lisboa, e trabalha como Web e Mobile developer durante o dia e como blogger à noite. www.yoursecretgirl.com

  • Tiago Faria da Silva

    Essa rapariga (filhos, casamento, casa) morreu completamente? Não está algures aí dentro? No entanto, as pessoas nunca querem o mesmo: as vontades mudam dinamicamente.

    Quando eu era pequeno queria ser astronauta – e ainda quero! – mas ganhei outras vontades na vida.

    "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades". Luís Vaz de Camões