Como se sentiram as pessoas que estavam em Cascais no domingo à noite

Sim, eu fui ver o Anselmo no domingo à noite às Festas do Mar. E sim, dei pela confusão toda, e sim, vou falar sobre isso hoje.

Pois bem, não vou falar de meets (que ainda não percebi nada disso) nem pelas pessoas que estiveram lá e dizem não terem dado por nada (tiveram sorte, digo-vos). Vou falar por mim e pela minha família, que se juntou para ver um concerto gratuito que pensámos que iria valer a pena.


Eu e o André juntámos as famílias e decidimos ir ver o último dia das Festas do Mar. Era dia de Primitive Reason e Anselmo Ralph, e aproveitámos para terminar o dia por lá. Já sabíamos que iria ser uma grande confusão, mas mesmo por isso deixámos os carros duas estações antes e fomos de comboio.

Ao chegarmos lá percebemos logo a confusão que realmente estava. Muita gente a sair do comboio, uma multidão a tentar passar as cancelas e um certo número de polícias a vigiar. A confusão aumentou de tal modo que a CP viu-se forçada a abrir as cancelas e deixar escoar.

Era muita confusão, era verdade, mas num concerto gratuito de um artista que já sabemos que leva muita gente a qualquer lado, já era de esperar. O que não era de esperar era que pouco depois de termos chegado a meio da Av. Dom Carlos I, e estivéssemos num sitio onde já nos conseguíamos mexer e ver o palco, o Anselmo tenha dado conta de confusão em frente ao palco.

No princípio pensámos que não era nada demais, mas com o rapaz a continuar a apelar pela calma, a ameaçar ir embora e a tocar apenas mais uma música antes de realmente o fazer, percebemos que era grave.

O concerto terminou e enquanto no Twitter já se partilhava a notícia do Sol e tweets feitos à dias sobre meets, a multidão abria-se e deixava passar ambulâncias para a direcção do recinto em frente ao palco, uma de cada vez. No final contámos pelo menos 4.

Pouco depois disso e sem saber bem o que se passava, começámos a ver demasiada confusão lá em baixo na praia e uma maré de gente a correr para cima, direccionados para a zona onde estávamos.

Foi aí que a verdadeira confusão se instaurou naquela zona. Começou tudo a correr pela avenida a cima, sem saber bem do que estávamos a fugir. Toda a gente a dizer: “para cima, para cima!”. Ouvia-se falar em arrastões, pessoas a fugir da polícia… Não fazíamos ideia de nada!

Agora imaginem-se nesta situação. Num sítio onde já estávamos bem longe da confusão, onde estávamos rodeados de pessoas que só queriam ver um pouco do concerto e ver o fogo-de-artíficio. Imaginem família, grupos de amigos, pessoas que só queriam estar descansadas e passar um bom bocado.

Imaginem-se não saberem bem para onde se virar, nem onde se porem quando não percebiam porque todos corriam para cima.

É uma pena, é uma experiência parva e nunca nos devíamos ter posto nisto, não. Mas aconteceu e não vou dizer que não dei por nada e que não tive medo, porque tive. Tive medo pela minha família e por todas as outras pessoas que estavam à nossa volta que não tinham nada a ver com o que se estava a passar lá por baixo.

E não venham com racismos e discussões parvas (como estão cheios os comentários desta publicação da SIC) que isto não tem nada a ver com cores e raças. Tem a ver com educação, com calma, com cabecinha.

Vamos ter que começar a ter medo de sair à rua? Vamos ter que começar a pensar duas vezes se devemos ir a um centro comercial ou a um evento gratuito? O que querem afinal com isto?

Haviam crianças no meio daquela multidão. Eu tinha um adolescente comigo. Daqui a uns anos pode ser um filho vosso. Pelo menos pensem se iam gostar de ter um filho no meio daquele alvoroço…

<3
PS: Lamento pelo Anselmo Ralph e pela organização do evento. Tenho a certeza que não era este o final que queriam para a nossa noite.
PS2: Se se estão a perguntar como fizemos para sair daquela confusão, aqui fica. Parámos junto a uma carrinha da Protecção Civil de Cascais, no cimo da avenida e esperámos para ver como os ânimos ficavam. Vimos que a multidão que tinha vindo a fugir da praia tinham fugido para outra direcção e esperámos que tudo acalmasse. Uma meia-hora depois, e com o fogo-de-artíficio a ter-se realmente realizado, percebemos que estava tudo mais calmo e dividimos-nos. Dois de nós tinham o carro para cima e levaram mais de uma hora para sair de Cascais. O resto de nós pôs-se pelas ruelas de Cascais, junto com muitas mais famílias, à procura da forma mais segura de fazer o caminho a pé até ao Estoril. Chegámos todos bem e sem mais confusões. Ainda ouvimos alarmes de carros a tocar no centro de Cascais, mas nada mais se passou.

By Tânia Sequinho

Tânia Sequinho é a autora por detrás do yoursecretgirl.com, o blog que criou para inspirar jovens mulheres a conseguirem a vida feliz, organizada e realizada com que sempre sonharam. Actualmente a Tânia vive com o namorado André e a sua gata Luna perto de Lisboa, e trabalha como Web e Mobile developer durante o dia e como blogger à noite. www.yoursecretgirl.com

  • Rui

    Olá! Depois apaga este comentário sff, mas era só para alertar um erro no texto que provavelmente te passou ao lado: " queriam estar descansadas e passar um pouco bocado"

  • Andre Varandas

    Não foi nada fácil. Só quem lá esteve é que sabe o que passou! <3

  • Completamente, meu doce! Obrigada pelo comentário! <3