#ILookLikeAnEngineer – sou mulher e sou programadora

A semana passada uma notícia no Time chamou-me à atenção. Esta falava sobre a história da Isis Anchalee, a programadora que foi alvo de várias críticas por fazer parte de um cartaz publicitário da empresa onde trabalha.

Recomendo a leitura do artigo e do post dela no Medium onde conta toda a história. Este meu post só irá fazer sentido depois desta leitura.

Tenho 24 anos e tenho o maior orgulho em dizer que sou programadora informática num país e numa cidade onde não me sinto criticada nem olhada de forma diferente por isso. Ou talvez ainda não tenha tido o azar de isso me acontecer.

Não segui o caminho típico da maioria dos profissionais na minha área. Ao contrário destes não escolhi Informática no Secundário e não sou licenciada em Engenharia Informática ou outro curso do género. Como alguns que já me lêem há algum tempo sabem, sou licenciada em Educação e Comunicação Multimédia pela Escola Superior de Educação de Santarém. Uma escola com muitas falhas na altura em que lá andei, mas que nunca me fez sentir menos do que os meus colegas rapazes por ter escolhido uma área ligada à informática.

Durante o meu curso, a igualdade foi sempre unânime, sem nunca me aperceber de nenhum tipo de diferenciação. Éramos todos possíveis futuros profissionais de uma das várias áreas para que o meu curso nos preparava e tínhamos todos as mesmas possibilidades.

Felizmente durante o meu trajecto profissional nunca fui menosprezada, confrontada, nem aliciada a nenhum tipo de má educação a respeito do meu sexo. Talvez seja sortuda. Talvez até hajam casos destes em Portugal. Sinto muito se houverem.

Por isso e porque não quero deixar passar esta notícia em branco, junto-me à Isis e partilho aqui o que realmente parece uma engenheira/programadora/developer:

Esta sou eu, com o cabelo apanhado num elástico (cor-de-rosa), de óculos e sem maquilhagem. Esta sou eu na maior parte dos meus dias de trabalho. Alguns dias até me podem apanhar de calças de ganga e All Stars. Este é o tipo de liberdade que tenho no meu local de trabalho e que valorizo imenso.

Todos nós, no meu local de trabalho, somos valorizados pelo trabalho que fazemos, pelo que nos esforçamos e pelo que realmente importa: melhorar e trabalhar para um objectivo comum. Felizmente, todos temos esse direito e nunca tive, em momento algum, pressão para ser, comportar-me ou vestir-me de alguma forma diferente.

Felizmente todos temos a mesma liberdade de escolher as calças de ganga ou o fato/vestido formal. Todos podemos ter a nossa opinião. E novas ideias são bem vindas de todos.

E em relação a reacções de pessoas fora da área, também tenho a mesma sorte. Nunca ninguém me olhou de forma diferente por escolhê-a, muito menos por ser mulher.

Felizmente posso dizer que nunca senti o que a Isis sentiu e o que muitas outras mulheres e meninas sentiram ou sentem e acredito realmente que esse deve ser o nosso futuro.

A área de Informática era uma área maioritariamente ocupada pelos homens, é verdade, mas a realidade é que hoje ao olhar para o lado apercebi-me do tanto que isso já não é assim. Já somos muitas mais do que nos apercebemos e a verdade é que somos mesmo muito boas no que fazemos. Independentemente da nossa aparência.

E agora: quantas programadoras / developers/ engenheiras informáticas andam por aí?

<3
PS: Não, não vou todos os dias de calças de ganga e All Stars para o trabalho, mas se quisesse até podia ir.

By Tânia Sequinho

Tânia Sequinho é a autora por detrás do yoursecretgirl.com, o blog que criou para inspirar jovens mulheres a conseguirem a vida feliz, organizada e realizada com que sempre sonharam. Actualmente a Tânia vive com o namorado André e a sua gata Luna perto de Lisboa, e trabalha como Web e Mobile developer durante o dia e como blogger à noite. www.yoursecretgirl.com